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DESPEDIDA

Centenas acompanham velório e sepultamento de Isabel Auler

Por Bianca Zanella | Publicado: Terça, 02 de Mai de 2017, 15h53 | Última atualização em Quarta, 03 de Mai de 2017, 08h47

Familiares de Isabel Auler juntaram-se nesta terça-feira (2) a amigos, servidores, alunos e funcionários terceirizados da Universidade Federal do Tocantins nas cerimônias de adeus à reitora da UFT.

Lembrada por sua determinação e competência profissional, pelo seu temperamento sereno e por seu jeito sempre atencioso no tratamento das pessoas, Isabel Auler morreu na tarde de segunda-feira, 1° de maio, em decorrência de complicações do seu quadro de saúde que vinha se agravando desde que a reitora sofreu um Acidente Vascular Cerebral (AVC) e foi hospitalizada durante uma viagem de férias, em janeiro deste ano. Isabel era natural de Jaú/SP, mas construiu boa parte de trajetória pessoal e profissional no Tocantins, e tinha 65 anos de idade.

Auditório do Cuica ficou lotado de amigos, colegas de trabalho, autoridades e estudantes (Foto: Samuel Lima/Dicom)Auditório do Cuica ficou lotado de amigos, colegas de trabalho, autoridades e estudantes (Foto: Samuel Lima/Dicom)

O movimento no velório, que começou com algumas dezenas de pessoas na noite de segunda-feira (1°), se intensificou nas primeiras horas da manhã, lotando o auditório do Centro Universitário Integrado de Ciência, Cultura e Arte (Cuica), no Câmpus de Palmas da UFT.

A cerimônia ecumênica teve a participação da presidente da Federação Espírita do Estado do Tocantins, Leila Ramos, do pastor Fabian Santana, da Igreja em Movimento, e do padre Luciano Zilli, da paróquia Santa Teresinha do Menino Jesus.

Religiosos destacaram o legado deixado por Isabel Auler (Foto: Samuel Lima/Dicom)Religiosos destacaram o legado deixado por Isabel Auler (Foto: Samuel Lima/Dicom)

"Ela era uma educadora por excelência. Essa é a marca das pessoas que vêm para nos ensinar. Mais que pelas palavras, pelas atitudes que ela deixa de legado", disse Leila Ramos.

O padre Luciano Zilli lembrou o fato de Isabel ter morrido justamente em um Dia do Trabalho e dia de São José Operário. "Isso é muito significativo porque o trabalho sempre foi seu lema, seu refúgio e seu aliado".

Após as falas dos religiosos, o vice-reitor Luís Eduardo Bovolato voltou a lembrar a dedicação de Isabel à Universidade, e em um momento bastante comovente puxou uma ressonante salva de palmas à reitora no auditório do Cuíca.

Estudantes indígenas também prestaram homenagens a Isabel Auler (Foto: Samuel Lima)Estudantes indígenas também prestaram homenagens a Isabel Auler (Foto: Samuel Lima)Representantes da comunidade indígena da Universidade também prestaram homenagens. "Isabel foi presente em nossa causa, atuando em lutas, compartilhando tristezas e conquistas", disse a estudante Narúbia Werreria. Ela lembrou o episódio em que Isabel, juntamente com o professor doutor honoris causa Hamilton Pereira da Silva (Pedro Tierra), plantou mudas de ipê em frente ao Cuica, citando uma frase da própria reitora dita na ocasião: "O ipê representa o florescer na dureza do cerrado, quando tudo seca, meio ao grande calor e à pouca umidade, é quando ele floresce, mostrando a grandeza da natureza. O pensamento é a própria representação do ipê que tem que florescer e ressurgir em momentos de crise". Em seguida, Wagner Katamy Krahô-Kanela, entoou um canto de despedida tradicional.

Momentos de emoção no velório: uma salva de palmas e a canção do Coral UFT em Canto (Fotos: Samuel Lima)Momentos de emoção no velório: uma salva de palmas e a canção do Coral UFT em Canto (Fotos: Samuel Lima)

Em outros dois momentos bastante emocionantes, o Coral UFT em Canto, com a regência de Bruno Barreto, prestou homenagem à reitora cantando a música "Gostava Tanto de Você", de Tim Maia, e os integrantes do programa Universidade da Maturidade (UMA) gritaram seu tradicional lema "É preciso saber viver".

Pouco antes do meio-dia o corpo de Isabel Auler foi levado ao Cemitério Jardim das Acácias, seguido de um cortejo. Sob um calor intenso, dezenas de pessoas ainda acompanharam o sepultamento.

Sepultamento foi no Cemitério Jardim das Acácias (Foto: Bianca Zanella/Dicom)Sepultamento foi no Cemitério Jardim das Acácias (Foto: Bianca Zanella/Dicom)

 

Legado

"Ela sempre foi um exemplo de competência, profissionalismo, ética e dedicação ao serviço público. A gente fica órfão de uma profissional dedicada, que não media esforços pela Universidade, e eu pessoalmente fico órfão dessa minha grande amiga que para mim era a grande 'alma mother' da Universidade", disse o amigo pessoal de Isabel e Diretor de Tecnologias Educacionais da UFT, Damião Rocha.

A administradora e assessora da reitoria Enedina Nunes, que trabalhava com Isabel desde 1991, ainda na Unitins, lembra com carinho da relação construída ao longo de 26 anos. "Ela sempre foi uma pessoa guerreira, muito competente, sempre atenta aos problemas da Universidade... Ela era muito envolvida, deu a vida, praticamente, pela Universidade. E apesar de ser muito reservada, era sempre muito simpática, gostava de brincar", comentou.

O chefe de gabinete, Emerson Denicoli, lembra com admiração da colega de trabalho com quem conviveu por 13 anos. "Ela sempre foi maior do que as funções que ocupava, e quando chegou à reitoria a gente via que ela tinha, então, chegado onde merecia e onde a Universidade precisava que ela estivesse. Foi uma lástima ela não ter tido a oportunidade de continuar a sua gestão, mas ela deixa a Universidade nos trilhos e eu acredito que se a gente conseguir continuar avançando neste plano que ela tinha a gente vai conseguir elevar a UFT a um outro patamar".

"A professora Isabel deixou uma marca de comprometimento muito grande com a Educação, além da seriedade, da competência, do cuidado com as relações interpessoais que ela tinha, da serenidade com que sempre trabalhou... era uma pessoa exemplar como ser humano e profissional", disse a pró-reitora de Graduação, Vânia Passos.

"A Isabel sempre foi muito comprometida com a Educação de forma geral. Ela nos chamava à responsabilidade não só pela qualidade do ensino na Universidade, mas também no Ensino Básico e Médio porque, nas palavras dela, nós formamos os professores, então nós temos nossa parcela de responsabilidade também com os outros níveis educacionais. Era uma pessoa muito batalhadora pelos seus ideais, incansável, que tinha uma força de vontade tão grande que superava até as suas limitações físicas, tanto que por vezes eu não consegui acompanhá-la em suas caminhadas e peregrinações pela Universidade", comentou o pró-reitor de Pesquisa e Pós-Graduação, Raphael Pimenta.

"O que sempre se destacou na Isabel foi a dedicação integral a uma ideia de Universidade. Ela insistia muito na dimensão humanista e pedagógica, propriamente educacional, que a Universidade tem. Ela incutia isso em cada ação, em cada programa e cada projeto que a Universidade tocava. Principalmente no Plano de Reestruturação da Universidade isso ficou muito claro, quando nas propostas havia um eixo de humanidades mesmo nos cursos de Engenharia, de Saúde.. esse é o principal legado dela para a Universidade, essa insistência na formação humanística", ressaltou o pró-reitor de Assuntos Estudantis, Kherlley Barbosa.

Márcio Silveira, reitor da UFT na gestão 2012/2016, que teve Isabel como vice, destacou a participação ativa da professora na consolidação da Universidade. "Era uma pessoa muito obsessiva pelo trabalho, tanto que ela ajudou a construir a Universidade. Tudo aqui tem a mão dela. [...] Era uma mulher muito dedicada, um exemplo. Deixa muitos admiradores, sobretudo os alunos e nós, que trabalhamos do lado dela sempre admirando sua capacidade, seu compromisso, sua seriedade. A Universidade perde muito, mas ao mesmo tempo também a gente fica com esse legado. Isso tem que nos servir de lição, para que a Universidade amadureça, para que a gente pare de ficar pensando em coisas menores e pense em um projeto de desenvolvimento para Universidade, pelo que sempre a Isabel lutou", disse.

"Isabel foi uma pessoa especial, dedicada, comprometida, uma pessoa que sempre fez muito bem aquilo que se propôs. Era uma pessoa que, nos dez anos de convívio que eu tive com ela na Reitoria da UFT, eu como reitor e ela como pró-reitora, tudo que estava na mão dela eu não tinha nenhuma preocupação porque eu sabia, tinha certeza, que ela daria conta do recado", elogiou o deputado estadual Alan Barbiero, reitor da UFT de 2003 a 2012.

A presidente da Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes) ressaltou em nota de pesar as contribuições da reitora não apenas para a Universidade. "Com grande experiência na vida universitária, a reitora Isabel foi uma aguerrida defensora da educação em todos os níveis, e nos deixa um enorme exemplo de dedicação e amor à educação brasileira.

"Foi uma perda muito grande para a nossa cidade, o nosso estado, a educação do Tocantins. A professora Isabel está desde os primórdios construindo, trabalhando, para gente fazer uma educação de qualidade", comentou o prefeito de Palmas, Carlos Amastha, que decretou luto de três dias no município.

O governador Marcelo Miranda também decretou luto no estado do Tocantins pela morte da reitora. "Mais que um currículo invejável, Isabel deu o melhor do seu profissionalismo ao Ensino Superior do Tocantins, no exercício de várias funções em universidades do Estado. Sem dúvida alguma, perdemos uma grande educadora!", disse ele.

Outras personalidades, autoridades e instituições também se manifestaram após a morte da reitora Isabel Auler. Veja outras mensagens e repercussões.

Leia também: Em 14 anos de serviços dedicados à UFT, Isabel Auler deixa legado de persistência e determinação

 

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