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Outubro Rosa

Servidora da UFT conta como foi sua luta contra o câncer de mama

Por Virgínia Magrin | Publicado: Terça, 09 de Outubro de 2018, 10h43 | Última atualização em Terça, 09 de Outubro de 2018, 11h51

Mãe, amiga, irmã, profissional dedicada aos seus alunos dos cursos de Enfermagem, Nutrição, Serviço Social e Pedagogia, sempre envolvida em projetos de extensão, com uma agenda cheia como a de muitos atualmente. Assim estava a vida da professora Reijane Pinheiro da Silva, no final de 2016. Ela, que sempre foi muito cuidadosa com sua saúde, fazia mamografia anualmente, mas naquele ano, estava cheia de projetos, muito trabalho e não conseguiu parar para fazer seus exames periódicos.

“Como eu estava em um ritmo muito acelerado de trabalho eu adiei um pouquinho, mas meu corpo se comunicava comigo dizendo – você precisa procurar um médico urgente - eu senti que meu corpo estava avisando que algo estava errado”, conta ela que identificou um nódulo em sua mama direita no autoexame. No início ela menciona que ninguém queria acreditar que era algo ruim. Mas em março de 2017 o resultado do exame chegou e comprovou que era um câncer em estágio inicial.

Reijane em sua última sessão de quimioterapia (Foto: Arquivo Pessoal)

O enfrentamento

A trajetória de descoberta da doença de Reijane foi positiva, pois ela percebeu o nódulo no início e isso foi fundamental para o tratamento que começou em abril de 2017. Ainda assim, Rejaine explicou que o resultado foi um momento muito difícil pra ela, para sua família e amigos próximos. “Foi um enfrentamento que precisamos nos preparar psicologicamente para fazer”, destacou ela.

Uma vez descoberta a doença era a hora de enfrentá-la. A professora passou por uma mastectomia, 16 sessões de quimioterapia, 30 de radioterapia e em todo esse processo ela foi forte. Para isso, Reijane escolheu a honestidade preferiu não esconder de ninguém, sendo muito clara com a sua filha. “Eu falei para a minha filha da retirada da mama, falei que a mamãe iria ficar careca, que o remédio era forte, que haveria dias que eu não conseguiria levantar da cama, mas que era necessário para a mamãe ficar bem. Fui honesta com tudo que aconteceu, ela teve medos, dúvidas e inseguranças, mas soube enfrentar”, garantiu Reijane.

Perder o cabelo também foi um desafio, seu cabelo era uma marca, pois desde a adolescência sempre manteve cabelos longos. “Mas em meio às dificuldades vinham as alegrias em demonstrações de carinho, como as de suas sobrinhas que cortaram os cabelos para fazer uma peruca pra ela.

Rede de apoio

Em lágrimas ela falou de onde veio essa força. “Com certeza foi um momento difícil, mas também de descobertas; sabendo que a vida da gente é importante para outros também”, afirmou ela. “Me senti amada, cuidada e acolhida em meu sofrimento. Descobri que não estava sozinha, minha família e amigos foram fundamentais nesse processo. Sem essa rede eu não teria enfrentado tão bem. Estava sofrendo fisicamente e psiquicamente e essa rede me sustentou. Todos os dias eu levantava e dizia: meu Deus eu quero estar viva, pois tenho uma filha para criar”.

Outro momento delicado para a professora foi se afastar de suas atividades ligadas à docência. “Uma das coisas que me mantem forte e alegre é minha filha de seis anos e meu trabalho. Minha filha estaria comigo todos os dias, mas meus alunos não. Foi difícil me afastar do trabalho”, lembrou ela com lágrima nos olhos, ao contar como foi o processo de tratamento. “Meus alunos mandavam mensagens de orações, homenagens, vídeos, cartões. Tudo me fortaleceu nesse processo”, afirmou ela.

 Reijane e seus alunos (Foto:Daniel dos Santos)

Lição de vida

Ao perguntarmos à Reijane o que ela aprendeu com tudo isso ela afirma que ainda está aprendendo, respeitando seus limites e forças, fazendo atividade física e melhorando sua alimentação. “Está muito recente, terminei a radio em fevereiro. Mas essa doença me fez descobrir que eu preciso passar a olhar mais para mim. A sobrecarga de trabalho pode te levar a um adoecimento, por isso temos que pensar bem sobre isso. Fazer aquilo que nosso corpo consegue, sem que adoeça. Não vale a pena abraçar o mundo inteiro”.

Outro ponto importante destacado por ela foi o da valorização. “Aprendi a valorizar aquilo que realmente tem valor, que são as coisas do cotidiano, as pessoas que vivem a sua volta, estar pronta para escutar e tardia para falar. Estou aprendendo a apreciar a vida, percebendo-a com um presente diário, observo as coisas a minha volta, escuto melhor e com mais qualidade as pessoas, considero que cada um tem sua batalha. Percebi que não sou nem melhor, nem pior que ninguém. As pessoas que tivessem o apoio que tive e tenho passaria por esse problema da mesma forma que eu”.

E se você perguntar para a professora que tanto gosta de trabalhar e curtir as pequenas coisas da vida se ela tem medo. Ela é categórica em responder: 

Câncer de mama

Reijane alerta ainda sobre a necessidade de políticas de saúde que promovam a informação não apenas em outubro, mas durante todo o ano. "Precisamos de governos que se comprometam com a prevenção e com a assistência pública e integral às mulheres". Para se ter uma ideia, de acordo com o Instituto Nacional de Câncer, o Inca, o câncer de mama é o tipo de câncer mais comum entre as mulheres no mundo e no Brasil, depois do de pele não melanoma. Existem vários tipos da doença, alguns evoluem de forma rápida, outros, não. A maioria dos casos tem bom prognóstico se descoberto no início, daí a importância do autoexame.

O Inca estima que só em 2018 devem ser detectados 59.700 novos casos. A campanha Outubro Rosa existe com o objetivo de compartilhar informações sobre o câncer de mama, promovendo a conscientização sobre a doença e proporcionando maior acesso aos serviços de diagnóstico e de tratamento. Saiba mais sobre os sintomas, autoexame e tratamento no site do instituto. 

 

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