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MEIO AMBIENTE

Workshop internacional sobre impactos de hidrelétricas intensifica troca de experiências

Por Samuel Lima | Publicado: Terça, 15 de Maio de 2018, 16h06 | Última atualização em Terça, 15 de Maio de 2018, 17h20

A importância da troca de experiências e de modelos de sucesso em gestão de impactos gerados com a construção de barragens hidrelétricas foi o principal ponto enfatizado por participantes do Workshop “Rios, Terras e Culturas: Aprendendo com o Sistema Socioecológico do Tocantins", da Rede de Pesquisas em Barragens Amazônicas: Avançando a Pesquisa Integrativa e a Gestão Adaptativa de Sistemas Socioecológicos Transformados por Barragens Hidrelétricas. O evento é promovido por meio de parceria entre universidades amazônicas e a Universidade da Flórida (EUA). O evento segue até a próxima sexta-feira (18), no auditório do Anfiteatro (Bloco D) com a participação de pesquisadores, professores, estudantes de graduação e pós-graduação de universidades brasileiras e estrangeiras, além de representantes governamentais e empresariais.

Bette, Bovolato, Leineker e Elineide (e p/ d) na mesa de abertura (Foto: Caio Mota/RBA/Divulgação)Bette, Bovolato, Leineker e Elineide (e p/ d) na mesa de abertura (Foto: Caio Mota/RBA/Divulgação)Na abertura do evento, a mesa foi composta pelo reitor da Universidade Federal do Tocantins, professor Luís Eduardo Bovolato, pela professora Bette Loiselle, coordenadora do Tropical Conservation and Development da Universidade da Flórida (UF); a coordenadora local da Rede de Pesquisas em Barragens Amazônicas, professora Elineide Marques, do Programa de Pós-graduação em Ciências do Ambiente (PPGCiamb); e o diretor do Câmpus de Palmas, professor Marcelo Leineker.

A coordenadora do evento pela Universidade da Flórida, professora Simone Athayde, destacou a importância do aprendizado com a experiência vivida em outros locais. "Os Estados Unidos já tiveram diversas barragens construídas; eles têm experiência acumulado de muitos anos. Apesar de a governança ser diferente, mas há similaridade no processo - por exemplo - na gestão dos impactos (porque eles são similares). Essa experiência que eles têm de gestão adaptativa (que é aprender fazendo e corrigindo os erros a partir das aprendizagens e de um diálogo interssetorial com vários atores sociais) é muito valiosa para a gestão das bacias hidrográficas no Brasil e na Amazônia", frisou.

Em sua fala, na mesa de abertura do evento, o reitor da UFT destacou a necessidade de mais interação e troca de saberes. "A UFT ganha bastante com isso, quando se ampliam as possibilidades de interação e participação de nossos professores e estudantes de graduação e pós-graduação, com o estreitamento dos interesses institucionais e científicos, e que possamos ampliar essa rede enviando nossos colegas para os EUA e também recebendo colegas americanos me nossa instituição", destacou, enfatizando que a UFT tem promovido a internacionalização não só dos programas de pós-graduação, mas possibilitando o acesso à internacionalização também para a graduação.

Diálogos

Carolina Doria, da Universidade Federal de Rondônia (Unir), disse que a troca de conhecimentos entre os diversos atores é importante para a melhoria dos processo de gestão das usinas hidrelétricas. "Isto quando falamos dos impactos que elas podem trazer às comunidades tradicionais (ribeirinhos, pescadores e indígenas), e melhorar a gestão do recurso que ela está utilizando, e muitas vezes impactando - como a água e os recursos pesqueiros, por exemplo". Carolina trabalha a questão dos impactos na Bacia do Rio Madeira e destacou que a situação vivida pelas comunidades ribeirinhas da bacia em Rondônia é muito parecida com a encontrada nas bacias tocantinenses.

João Werreria Karajá, um dos participantes, enfatizou a importância do diálogo com os impactados (Foto: Samuel Lima/Sucom)João Werreria Karajá, um dos participantes, enfatizou a importância do diálogo com os impactados (Foto: Samuel Lima/Sucom)Presente no evento, João Werreria Karajá, que é de uma comunidade indígena na Ilha do Bananal, enfatizou a necessidade de a discussão dar voz aos impactados. "A discussão é muito boa e precisamos participar. Tivemos problemas lá na Ilha do Bananal porque queriam passar navio pelo rio Araguaia, e tivemos de entrar nisso", pontuou. Ele frisou também que é importante conhecer realidades diferentes, complementando que "é preciso buscar alternativas que não tenham tanto impacto".

Jynessa Dutka-Gianelli, da Michigan State University (EUA) enxerga o Workshop como uma oportunidade para dar voz a todos os envolvidos e gerar um aprendizado mútuo mediado pelo diálogo. "São todos juntos para entendermos os problemas e o que ocorreu com cada um. Esse diálogo para saber o que deu certo e o que não deu certo. Vamos aprendendo com os sucessos e os erros de outros lugares, para buscar o que podemos melhorar". Ela frisou que as ferramentas desenvolvidas em outras realidades culturais e de gestão precisam ser adaptadas, "por isso o diálogo é tão importante", complementou.

A professora Elineide Marques, do PPGCiamb e coordenadora local do evento, disse que o Workshop é uma aproximação dos trabalhos que a academia produz com a comunidade e também um intercâmbio entre as áreas dentro da própria academia, "o que estamos chamando de transdisciplinaridade. Sobre as barragens, especificamente (porque existem outros tipos de ações, como mineração, construção de estradas, etc), há procedimentos e tomadas de decisão que estão muito distantes das populações das áreas afetadas; esse tipo de discussão é uma provocação e nos ajuda a aferir as tomadas de decisão", disse. Segundo Elineide, a discussão em torno do impacto das hidrelétricas na Amazônia brasileira já está levando os EUA a repensarem os procedimentos que eles têm adotado.

Transmissão ao vivo

A programação do Workshop está sendo transmitida ao vivo por meio do canal de Youtube da Rede de Barragens Amazônicas (RBA), com auxílio da Diretoria de Audiovisual da UFT. Outras informações sobre o Workshop podem ser obtidas no espaço vistual criado para a conferência e também no site da Rede Barragens Amazônicas.

Confira, abaixo, algumas imagens deste primeiro dia de Workshop:

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